
Saiam de mim!
Saiam todos aqueles que me julgam pouco!
Saiam!
Saiam aqueles que me querem calado
Estúpido, estático.
Os que me querem vitrine paraguaia
Saiam de mim.
Os que vêm sem nada trazer
Os que pedem mais do que tenho
Os que não compreendem minhas cóleras e ataques de riso.
Saiam daqui, estúpidos!
Saiam logo.
Saiam também os maldizentes!
Oh, dementes de língua ferina, saiam já!
Basta com seus achincalhes e pilherias à toa
Basta de sarcasmo vil.
Alias, basta de vileza, soberba e tudo mais que sois vós
Basta!
Saiam, ordeno!
Vós que sois porcos, saiam
Vós que cheirais a sexo vulgar e amor interesseiro. Saiam
Imundos, descrentes. Inumanos
Fora de mim!
Os que não lêem poesias
Os não tem sentimentos!
Saiam de mim!
Deixem-me cá com meus botões
Deixem-me cá vivendo em puro êxtase
Sonhos de Alice e Ícaro!
Os que crêem não nos sonhos, saiam já!
Fora, eu grito e repito mais alto. FORA!
Vós que agora riem de mim, que taxam-me louco
Louco... Oh, pobre louco e solitário
Não Se demorem mais um segundo e saiam jamantas débeis.
Todos aqueles que não entendem o valor, a força que é a entrega total
Por alguma coisa, por algum ser. Um amor, um desafeto. Cho!
Os que desdenham do ato de pensar; os que não se misturam. Cho!
Os que não tocam os demais. Os que não querem tal toque. Ah, ratos malditos!
Sim, ratos malditos. Não quero sentir seu cheiro podre de seres doentes e covardes.
Em gente ordinária eu cuspo em cima!
Afastem-se de mim, ordeno!
Inúteis seres que cruzam o meu caminho
Inúteis que fingem não me ver
Que abaixam os olhos ao cruzar comigo
Ah, tolos cheios de si. Dou gargalhadas, palhaços tristes!





