sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Prece pela tolerância



"Não é mais aos homens que me dirijo. É à você, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos: Que os erros agarrados à nossa natureza não sejam motivo de nossas calamidades.

Você não nos deu coração para nos odiarmos nem mãos para nos enforcarmos. Faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira.

Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas e nossas opiniões insensatas não sejam sinais de ódio e perseguição.

Que aqueles que acedem velas em pleno dia para te celebrar, suportem os que se contentam com a luz do sol.

Que os que cobrem suas roupas com um manto branco para dizer que é preciso te amar, não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto negro.

Que aqueles que dominam uma pequena parte desse mundo, e que possuem algum dinheiro, desfrutem sem orgulho do que chamam poder e riqueza e que os outros não os vejam com inveja, mesmo porque você sabe que não há nessas vaidades nem o que invejar nem do que se orgulhar.

Que eles tenham horror à tirania exercida sobre as almas, como também execrem os que exploram a força do trabalho. Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos violentemos em nome da paz.

Que possam todos os homens se lembrar que eles são irmãos! "

( Voltaire )



2010 chegou.Vamos mudar o mundo,mas precisamos começar pelas pessoas que vemos todos os dias no espelho...



FELIZ ANO NOVO

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Poema do menino Jesus


Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.


(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Aos blogueiros,com carinho!


Eu, Rômulo, dono deste blog sou mais do que do que qualquer outra coisa um leitor.
Comecei a ler porque isso me parecia por num patamar superior com relação às outras pessoas; depois fui lendo porque meu mundo foi ficando pequeno e eu precisava viajar!
Hoje eu leio por um hábito tal qual escovar os dentes! E aqui na blogosfera eu me sinto no paraíso. Embora eu não seja um virtuoso blogueiro, passo horas lendo vocês. Tem muita coisa boa, muita mesmo. Encontrei aqui não apenas “blogueiros”, mas escritores de primeira linha,cronistas,poetas...E na maioria dos casos são pessoas jovens.
Tornei-me fã de cada um de vocês e de seus textos. Aproprio-me até muitas vezes de uma intimidade indevida,mas não se assustem,é coisa de fã mesmo!
Não sei o motivo, mas hoje acordei com essa necessidade de me por de pé render-lhes homenagens! Obrigadíssimo por existirem e por fazerem com suas obras de arte os meus dias mais bonitos, mais suaves...
Obrigado e parabéns aos escritores-crônistas-poetas do “Gole de idéias”,” Cranberry Sauce” ,”enfim! é o que tem pra hoje” ,”O Grande Edgar”,”Abrace sua loucura”,”PAPEL, CANETA, LETRAS”,”Pensamento Fascinante” ,”O equador das coisas”,”clandestina, FELICIDADE”,”SOMESENTIDO”,”um d-EU-s chamado Pedro”, “Relações Amorosas Explícitas”...E a tantos e tantos outros que eu sigo.Alguns desses eu sigo mudo;isso para citar alguns,mas a lista é bem maior,muito maior!
Aos que eu citei e aos que eu não citei: Vocês todos são lindos assim! Pensando, escrevendo... Fazendo-me feliz!
Continuarei a segui-los, mesmo que muitas vezes em silencio, emocionadamente como faz quem Le uma prece

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Objeto não identificado [ 2 ]


Sou casado com Drummond e mantenho um caso com Clarisse Lispector
E não raras vezes saio a farrear e me deleitar nos braços de Florbela Espanca
E Caio Fernando Abreu. E tudo isso sob o olhar atento e compreensivo do
Meu confidente Oscar Wilde.
Amo e odeio por hábito
Sou alegre por comodismo
E solitário para ter salvação
Danço sem acepção de ritmo
Na dança a entrega deve ser total
Não cabe timidez;
O corpo deve estremecer suar...
Dance sem medo, dance muito, dance ao extremo
Na dança o gozo é produzido na ponta dos pés
E transborda pelos poros de todo o seu corpo.
E por falar em gozo... Estar sexuado é o que importa
O gênero é apenas um acidente...
Às vezes fico assexuado. É importante para não virar escravo do sexo, porque o bom mesmo
É ser parceiro; e tomem nota: estar assexuado é apenas uma leve e rápida antipatia
Ao corpo alheio, nunca ao meu.
Me toco,me descubro e redescubro,re(verso)...
Cultivo amizades por ego e determino logo:
“Ok.pode ficar à-vontade na sala, deite e role, mas nos outros cômodos só quem me pode saber sou!”
No lugar de deuses eu cultuo poetas. É uma devoção grave e honesta.
É a forma mais eficaz em que ser humano dói menos.
E para seguir meu caminho eu peço a benção de vocês meus sacerdotes, meus padrinhos, meus santos loucos: ”Benção, meus escritores!”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Feito de palavras


E hoje no morrer das tardes ensolaradas ou nubladas me coroe uma saudade cá dentro do peito, uma saudade do tom de sua voz, do movimento de seus lábios,do brilho de seus olhos penetrantes...Hoje cá dentro do peito,reina uma saudade do frisson que causava quando ouvia as histórias que me contava;repletas de anti-heróis,amor e morte onde tudo é possivel,tudo é permitido,com cores berrantes,gritos fortes e sussuros mais fortes ainda.Dramas do primeiro ao ultimo ato...Nascimento e morte
.”Estemundo é um lugar louco,sim?!” E em resposta ele me sorria,pigarreava,me olhava profundamente nos olhos e proseguia.Ele me moldou e partiu quando finalmente me achou pronto e bonito.
Foi desligando-se aos poucos, com cuidado para não ferir meu coração e cuidou ainda que permanecessem vivas em minha memória aquelas histórias.
Em um dia vulgar ele simplesmente não aparceu mais.
Hoje ele está ligado em outras essências, contando provavelmente as mesmas histórias, mas talvez, em um tom menos grave para não assustar os corações delicados; ou passou a contar histórias de contos de fadas... Sempre foi um rapaz inventivo, um belo rapaz inventivo!
Às vezes eu o encontro em alguma praça da cidade, sempre rodeado de amizades e eu o contemplo disfarçadamente do meio da multidão. Outras vezes ele me percebe, sorri naturalmente, vem ao meu encontro e abraça o meu corpo com um vigor todo humano e masculino como faz um pai.
E cumprimos este ritual repleto de simbolismos, de uma forma absolutamente digna, como convém a dois seres que se amaram... Como um profeta e seu discípulo.

domingo, 15 de novembro de 2009

15 de Novembro


Composição: Medeiros / Albuquerque

Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!
Liberdade! Liberdade!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!

domingo, 8 de novembro de 2009

Fernanda Young,Nua!


“Fernanda Young,nua!”.Desde o dia em que li essas palavras meu espírito não se acalma por dois motivos:excitação e decepção(não necessariamente nessa ordem).
A excitação é por motivos óbvios,Fernanda Young é uma mulher belíssima,com tudo no lugar...Gostosa mesmo!Mas isso numa visão impiedosamente masculina;quando me desce o pseudo-escritor a história muda de figura.Pode ser puro preconceito,mas Fernanda sempre esteve naquele altar reservado para as “Marias de verdade”,ficando bem distante das mulheres que aceitam o papel de simples fonte de gozo masculino.Young nesse estado acaba matando qualquer argumento contrario a exposição da mulher como num açougue de periferia.
Mas vocês irão me perguntar, o que afinal diferencia Fernanda Young de qualquer mulher fruta? Fora das páginas da “Playboy” tudo:Fernanda é uma intelectual de mão cheia,escritora,redatora,apresentadora;sim,uma mulher realmente livre,mas dentro da revista ela acaba sendo nivelada na mesma categoria da “mulher moranguinho”,por exemplo,que ganha a vida graças sua deliciosa bunda(deliciosa mesmo).Mas irão me indagar:esse nivelamento é ruim?Sim,essas coelhinhas da “Playboy” ao contrario do que se possa pensar não contribuíram em nada para a liberdade sexual da mulher,pelo contrario aprisionou-as como ‘deposito de espermas’.

“Salvar o erotismo das mãos da brigueice; não devo nada a ninguém; em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tapar seus corpos; vingança pura e simples; nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais; vou fazer 40 anos, ano que vem; irritar a minha mãe; estou me lixando para o que os idiotas vão achar; é a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem oito romances publicados e não existem ex-BBBs suficientes (aleluia!)”, escreveu Fernanda.
Lógico que o trabalho será o mais requintado possivel.Fernanda está realmente acreditando que este trabalho será como um de seus livros,será uma obra de arte para ser contemplada de forma limpa e bem dita.Não,Fernanda,não éra para isso que a “Playboy” ou qualquer outra revista do gênero serve.Fico aqui tentando pensar nesse assunto com ótica de Young:Imaginem dois homens/rapazes conversando sobre as fotos:
-Viu a Playboy da escritora,Fernanda Young?
-Sim.aquela com muitos livros publicados,seriadas de tv e que faz umas perguntas muito inteligentes na TV?
Sim,essa mesma.Reparou como são dignas as suas fotos?
-Que bom gosto!Os ângulos são perfeitos e a luz então merecia um premio...
-Belo corpo...
-Sim,belo corpo...
Nunca existirá tal dialogo na realidade,mesmo Fernanda tendo no seu contrato controle total sobre as fotos que serão publicadas,evitando assim qualquer ângulo ginecológico.Alias sem estes ângulos ginecológicos,qual é a graça de se ver uma mulher nua em um dessas revistas?
Por sorte(talvez) o pseudo-escritor que incorporo sobe rapidamente e eis que a excitação vence!
Estou louco para ver Fernanda Young nua, pelada. Sim quero saber como é sua parte intima...Ficar satisfeito e nada mais.




Perdão,mas este texto ficou machista ou feminista?